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Chamo-as pelo seu nome | Deixe-a ir porque ela é uma vocação firme


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“Deixe-a ir porque ela é uma vocação firme”.

 

Maria Emília nasceu na Serra de Tomar, Barreira Grande. É a mais velha de cinco irmãos. A mãe morreu quando Emília tinha 9 anos e por isso ficaram à responsabilidade de uma tia, irmã da mãe, a quem chamavam madrinha.

Emília era catequista e zeladora dos altares na Igreja da sua paróquia. Nessa altura o Senhor já andava a tocar o coração daquela jovem, mas ela estava muito confusa. Primeiro, gostaria de ser rapaz, para entrar no Seminário. Depois pensou que podia ser freira e já não lhe interessava ser rapaz. Entretanto, e já com 24 anos, aparece-lhe um pretendente, filho único e bem conceituado. Se já havia confusão naquele coração indeciso, esta última hipótese ainda veio trazer mais angústia. Não porque Emília gostasse do jovem, mas porque a avó dele veio ter com ela pedir-lhe encarecidamente que aceitasse namorar com o seu neto. Sem saber o que fazer, a jovem vai desabafar com o seu confessor e este diz-lhe que ela já tem idade para saber o que quer e por isso tem de decidir o que fazer da vida. Perante tal resposta, Emília foi para casa discernir e pouco tempo depois vai de novo ao confessor. Diz-lhe que não se sente inclinada para o matrimónio mas deseja ficar solteira. Perante esta afirmação o Pe. respondeu-lhe: “A menina está a dizer isso, mas quando começar a ver os seus irmãos a saírem de casa… a menina vai ficar sempre nas mesmas tábuas? Ao escutar estas palavras, a jovem ripostou: “Há tanta gente solteira, porque é que eu não hei-de ficar?”

O tempo foi passando e chegou o dia do casamento de um dos irmãos. Diz a Emília: “Quando o meu irmão casou, eu chorei tanto! E pensei: Se só por este já estou assim, quando chegar a vez dos outros como será?

Entretanto, a indecisão continuava: Casar? Ficar solteira? Ser religiosa? Emília não se decidia por coisa nenhuma e já estava com 25 anos. Até que um dia se encontrou com a Aurora, uma jovem lá da terra, que ia entrar na Congregação das Irmãs do Bom Pastor. Conversaram sobre a vida no convento e Emília já não sossegou enquanto não foi conversar com o seu confessor sobre os seus projectos. Quando disse ao padre que gostaria de entrar no convento, ele respondeu-lhe: “Vai, vai, que daqui a oito dias estás de volta”. Saiu da Igreja ainda com mais dúvidas e muita tristeza. Entretanto, a madrinha vendo a inquietação da afilhada, resolveu ir aconselhar-se com o sacerdote para saber orientar a jovem. Quando a madrinha chegou a casa viu a Emília lavada em lágrimas e perguntou-lhe: “O que vem a ser isto? Não gostaste de conversar com o Sr. Padre?” Ela respondeu: “O Sr. Padre não acredita na minha vocação”. Mas a madrinha logo acrescentou: “Cala-te, cala-te, ele disse isso para ver a tua reacção. Ele disse-me: “Deixe-a ir porque ela é uma vocação firme”. Ao ouvir estas palavras, os seus olhos brilharam de alegria e no dia seguinte tinha de resolver a sua vida. A primeira coisa a fazer era conversar com o rapaz e dizer-lhe com sinceridade que não tencionava casar.

Quando se encontrou com o jovem e explicou o motivo de não continuar o namoro, este disse-lhe: “Tu não queres casar comigo, é para casares com outro”. Mas depois acrescentou: “Desejo que sejas tão feliz como eu desejo ser”.

Quando o pai da Emília soube destas peripécias, foi conversar com o Sr. Pe: “Ó Sr. Padre, então não tira a ideia à minha filha de ir para o convento?” O Pe. apenas lhe respondeu: “A sua filha já é maior, já tem idade para fazer escolhas na vida. O Sr. também não escolheu a sua esposa para casar? Ela também tem direito a seguir a sua vocação”.

E lá foi a Emília, cheia de sonhos e entusiasmada com a sua amiga Aurora, a caminho de Vila Nova de Gaia, para a então casa de formação das Irmãs do Bom Pastor. Já se passaram tantos anos, e a vida já deu tantas voltas … e Emília permanece fiel ao Seu Senhor na Casa de Ermesinde. Ali está, serena e lúcida, a nossa querida Ir. Santa Ângela, nome de religiosa, sempre com o seu terço na mão pedindo por todas as Irmãs, como diz ela, e por todas as pessoas que lhe pedem orações. Hoje é esta a missão que Deus lhe pede. Está presa a uma cadeira há vários anos, obrigada pelas pernas que não obedecem a ninguém. E ali está, dia após dia, com aquele sorriso encantador, que esconde dores e sofrimentos de uma vida só para o Senhor e para os outros. Mas que também revela o segredo de uma vida fecunda e fiel ao longo dos seus 97 anos.

 



25 de Abril de 2011

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