"Nada é impossível ao amor" (Santa Maria Eufrásia)

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A menina Maria Vasconcelos

 

 

A menina Lurdes era a sexta filha numa fratria de 12 irmãos (7 rapazes e 5 meninas) e destes, 3 morreram ainda recém-nascidos. Aos 8 anos a Lurdes ficou sem mãe, pois esta partiu para o céu quatro dias depois de ter dado à luz uma menina, que apenas viu a luz deste mundo durante umas horas. Ainda na agonia, na cama do hospital, disse a mãe à enfermeira que a assistia: “Não faça caso de mim, trate de baptizar a menina antes que ela morra”. Poucas horas antes da mãe morrer, Lurdes foi visitá-la ao hospital. Consciente da proximidade da sua partida disse para a filha: “Lurdinhas, a mãe vai morrer e quando chegar ao céu, vai pedir a Jesus para seres religiosa”. Nesse mesmo dia, disse para a Lurdes que vinha também buscar a Teresinha, a sua filhinha mais nova de 11 meses. Ao fim de 7 dias Teresinha foi para o céu ter com a mãe.

Com esta partida tão repentina, a família teve de procurar solução para se organizar sem a mãe. Alguns dos irmãos ficaram ao cuidado da irmã mais velha de 18 anos, que já era casada, e a Lurdes ficou com a avó paterna até aos 11 anos, altura em que esta faleceu. Nessa ocasião a Lurdes deu entrada num colégio onde permaneceu até completar 21 anos.

Aos 15 anos começou a sentir um forte desejo de se entregar a Deus. Confessa ela: “Pensava ser Carmelita para ter uma vivência com Deus mais intensa. Gostava de ir à Missa todos os dias e depois do almoço ia sempre à capela fazer uma visita a Jesus. Sentia um grande desejo de me entregar a Deus na vida contemplativa”. A partir daí, confiou o seu segredo ao director espiritual que a entusiasmou ainda mais. No entanto, ainda não tinha chegado a hora, pois era muito nova e nem o pai nem as religiosas estavam de acordo com aquela decisão.

Continuou a pedir ao Senhor que lhe mostrasse o caminho a seguir, uma vez que o desejo de se entregar a Deus crescia cada vez mais e ela tinha de encontrar uma alternativa, até que um dia, já com 18 anos, conta a Lurdes: “Lá no colégio, encontrei uma revista que tinha uma gravura de uma Santa chamada Maria Eufrásia. Aí li uma frase que me tocou profundamente: “Maria Eufrásia incentivava as suas religiosas a viverem intensamente, dedicando a sua vida à salvação das jovens, sobretudo as mais abandonadas, sem amor e sem carinho”. Continua a Lurdes: “Eu não conhecia as Irmãs do Bom Pastor, na Madeira não existia essa Congregação. Levei a revista para o quarto e li-a às escondidas porque eu queria saber mais pormenores sobre a vida daquela Santa. Logo que tive oportunidade, falei com o meu confessor e ele disse que essa Congregação não era para mim, porque eu era muito inocente e aquelas raparigas eram muito difíceis. Confesso que fiquei triste, mas não desisti e todos os dias rezava, pedindo ao Senhor que colocasse no meu caminho alguém que me levasse até às Irmãs do Bom Pastor. Um dia, uma Irmã do colégio veio ter comigo pedir-me um favor: “Gostaria que a menina me ajudasse a arrumar um quarto, porque as Irmãs do Bom Pastor vão passar por aqui”. “Naquele momento, - continua a Lurdes, - eu senti que a resposta estava dada. Fui imediatamente à capela agradecer a Deus. Já não tinha dúvidas!

A partir dali, a jovem começou a engendrar um plano para contactar com as Irmãs do Bom Pastor sem o conhecimento das Irmãs do Colégio. A solução encontrada foi uma janela. Chamei uma Irmã - relata a Lurdes - e disse-lhe: “Irmã, eu desejo muito entrar na vossa Congregação” e contei-lhe que andava a rezar há muito tempo para as encontrar”.

No dia seguinte, as Irmãs do Bom Pastor reuniram-se com a superiora do colégio, e a Lurdes também estava presente. Dali resultou que só deixariam ir a menina quando completasse 21 anos.  

Muitas e sedutoras foram as promessas feitas à Lurdes para que desistisse de entrar no Bom Pastor mas: “Nada disso me convenceu e no mesmo dia que fiz 21 anos cantei o magnificat por ter chegado à maior idade e disse à responsável que a partir daquele momento iria tratar das coisas para entrar nas Irmãs do Bom Pastor.

Contudo, outro problema se levantou! Como iria pagar o dote e com que dinheiro comprar a viagem? Mas, mais uma vez, a prova de que Providência de Deus nunca falha: Quando a Lurdes andava preocupada com estas questões financeiras, a bisavó materna, que ia completar 100 anos, faleceu, deixando uma pequena herança aos netos. Entretanto, um dos irmãos mais velhos de Lurdes, tendo conhecimento do problema dela, adiantou-lhe a quantia necessária para pagar as viagens e o dote. A 26 de Fevereiro de 1945 atingiu a maioridade e a 15 de Março do mesmo ano entrava no barco a caminho de Lisboa, onde foi muito bem acolhida pelas Irmãs do Bom Pastor e encaminhada para Gaia a fim de iniciar a sua formação na Vida Religiosa juntamente com outras jovens. Na ocasião eram 8 postulantes e 22 noviças. Professou em 1948 e recorda esse dia com muita alegria e em acção de graças

 

 

Hoje, com 89 anos de idade, a Ir. Lurdes é uma pessoa feliz na sua vocação. Quem a conhece pode testemunhar a frescura do seu amor apaixonado por Jesus. Uma vida doada, não isenta de cruz, mas onde se pode ver o selo autenticado com o “carimbo” da fidelidade.

Surpreende-nos o modo como Deus intervém no chamamento de uma pessoa.

Foi para atender o pedido de sua mãe, antes de morrer, que Deus chamou a Lurdes para a vida religiosa? Ou serviu-se deste instrumento para tocar o coração de Lurdes? 



02 de Fevereiro de 2013

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