"Que a vontade de Deus seja a nossa força e o seu cumprimento a nossa alegria". (Beata Maria do Divino Coração)

Chamo-as pelo seu nome | O meu coração será sempre missionário


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Laurinda viu a luz do dia na Covilhã em 1942. É a terceira filha de Joaquim e Benvinda, casal abençoado com 9 filhos, dos quais, 6 raparigas e 3 rapazes. Seus pais eram muito piedosos e por isso a menina bebeu juntamente com o leite materno o desejo de Deus. Cedo aprendeu que o pecado afastava de Deus e na sua inocência dizia: “As pessoas más são feias e tristes porque o pecado faz perder a felicidade. Eu quero ser feliz.”

Ainda garota era perdida e achada na capela do lugar. A mãe e a madrinha quando não sabiam onde estava a menina diziam uma para a outra: Vai ver na capela que ela deve lá estar.” À pergunta da madrinha sobre o que estava ali a fazer, respondia: “Estou a perguntar a Jesus o que é que hei-de de ser quando for grande porque eu quero ser muito feliz.” Não perder Jesus e ser feliz eram os sentimentos que a acompanhavam e por isso nunca sentia medo quando estava sozinha, pois sentia que Jesus a acompanhava sempre.

Já adolescente começou a pensar seriamente em seguir a vida religiosa. Sua prima mais velha do que ela 3 anos, tinha entrado nas Irmãs do Bom Pastor. O “bichinho” da vocação começou a mexer com ela e desejava seguir o exemplo da prima. Pensou para consigo: “Já tenho a 1ª comunhão, a profissão de fé e o Crisma, já posso ir para o convento.Conversou com a mãe e esta não lhe ofereceu resistências e logo depois escreveu para o convento a pedir para entrar.

Tinha completado 15 anos quando chegou o esperado dia da entrada na vida religiosa, na Congregação das Irmãs do Bom Pastor. Ao despedir-se do pai, este disse-lhe: “Laurinda, és ainda muito nova. Se gostares fica, senão gostares, volta, porque a minha casa é a tua casa, a porta está sempre aberta e serás sempre a minha filha.” A mãe levou-a à estação do comboio e a jovem foi sozinha de Cortes da Covilhã para Vila Nova de Gaia, mergulhada no seu ideal de pertencer toda a Jesus e de viver com paixão uma história de amor.

Como era muito jovem permaneceu 3 anos no aspirantado e aos 18 iniciou a etapa do pré-noviciado.

Laurinda sentia o desejo de transmitir Deus e para ela, ser religiosa era uma forma de atrair as pessoas para Jesus. Em 1963 nova aventura povoa a sua mente de jovem entusiasta. Um grupo de 6 Irmãs do Bom Pastor foi enviado em missão para fundar uma casa em Angola, em Camabatela. Laurinda era jovem de profissão temporária e ofereceu-se para fazer uma experiência missionária. A sua oferta foi aceite e partiu feliz como missionária onde permaneceu durante um ano. Regressou para se preparar para a profissão dos votos perpétuos e passados 3 meses foi de novo para a Missão onde tinha deixado o coração. Na missão gostava muito de ajudar as pessoas desfavorecidas, principalmente as mulheres e crianças. Nos primeiros anos trabalhou como professora primária e ajudada pelas autoridades conseguiu abrir escolas nas zonas rurais. A par da formação académica, dava também formação religiosa, canto e liturgia.

Após a Independência, o analfabetismo era muito elevado e foi incentivada a organizar um centro de alfabetização para mulheres. Também trabalhou na Pastoral vocacional e formação inicial.

Foi com brilho no olhar que Laurinda contou algumas experiências significativas vividas na sua missão. “Havia lá uma jovem que queria casar mas não tinha documentos. Através da certidão do baptismo tratei do BI da moça. No dia em que ela viu na sua mão o seu BI, levantou as mãos e com lágrimas nos olhos disse: “Irmã, eu já sou pessoa. Até agora eu era como uma galinha, não tinha nome, nem família, nem morada.” Laurinda continua: “Quando trabalhava no centro de alfabetização, as mulheres ficavam tão felizes e diziam: “Eu agora já sei ler, já sei escrever o meu nome, já sei ver os preços das coisas nas lojas…” Esta Irmã também visitava muitos doentes e assistiu à morte de alguns. Um deles tinha SIDA e no dia em que faleceu disse à Irmã: “A Irmã ensinou-me o caminho, agora entrego-me a Deus. Sou feliz mesmo no momento da morte.”

Em 1975 Laurinda regressou a Portugal mas voltou a Angola após 5 anos. Conta que durante a guerra defendeu a vida a muitas pessoas, sobretudo jovens e adolescentes que eram rusgados para a vida militar.

Passados 41 anos a Irmã Laurinda regressou a Portugal. Confessa que a vida vai dando muita experiência e aprendeu que em tudo é possível expressar o Carisma. Decidiu regressar porque a saúde e os novos desafios já não lhe permitem dar respostas como anteriormente. Confirma que os Africanos são mais sensíveis a Deus do que os ocidentais. Vivem com mais intensidade os desafios de Deus. Apesar de ter iniciado nova missão, adequada às suas forças, testemunha na sua vida o que sempre viveu e defendeu na missão. São da Irmã Laurinda estas palavras: “Aqui estou bem. Vemos a Deus em todos. Não há lugar, nem país, nem terra. O importante é querermos dar Deus a todos através dos nossos gestos e atitudes. Em tudo podemos testemunhá-lo. Onde a gente está, está Deus. É nesta missão aqui que devo estar agora e em qualquer lugar onde esteja, o meu coração será sempre missionário.”

 



14 de Outubro de 2011

2 comentários

Patricia , 15-Out-2011 23:10:53
Quando li esta história fiquei a pensar que 41 anos é uma vida. É preciso muita coragem para estar fora do país tantos anos. Acho que não era capaz de deixar a minha familia nem sequer um ano. Mas admiro a coragem desta Irmã. bjs

Filomena Dias , 14-Out-2011 23:10:17
Fiquei muito sensibilizada com este testemunho da Irmã Inês, sobretudo quando diz que "Aqui está bem... e que o seu coração será sempre missionário." Foram 41 anos ao serviço da missão fora do seu país. E continua em missão pois segundo o que diz: "...Onde a gente está, está Deus...". Obrigada Irmã Inês










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