"Jesus gosta que convivamos com Ele como um filho com o seu pai". (Beata Maria do Divino Coração)

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Leonor é o nome de baptismo da protagonista desta história vocacional. É a filha número três. Duas irmãs mais velhas e um irmão mais novo. Nasceu na Ilha do Pico, nos Açores.

Conta a Leonor que um dia se foi confessar. No fim, o Pe. disse-lhe: “A menina tem de ser santa”. Esta frase ficou lá num cantinho daquele coração de criança de 11 anos e foi remexendo aquela “terra” até ao momento de receber a semente. Deus estava à espreita da hora certa. E a semente caiu naquela terra por volta dos 12 anos.

 

Em finais da segunda guerra Mundial, a Ilha do Faial era uma Base dos navios de Guerra que circulavam entre os Estados Unidos da América e a Europa. Ali chegavam, para se abastecer, as máquinas e as tropas. À chegada à Doca, de um ou vários desses navios, logo passavam na Rua onde vivia Leonor (nessa altura estudava no Faial), em direcção ao Porto, as mulheres prostitutas da cidade da Horta. Conta a Leonor: “Não sabia muito bem o que se passava, só ouvia as pessoas a fazer troça delas, a amaldiçoá-las, como pobres mulheres, de facto, estranhas no seu vestir e nos seus modos. Sem dizer nada para as defender, o meu coração tinha pena delas, e guardava para mim esse sentimento, estranho para o pensar dos adultos”.

 

Mais tarde, já com 21 anos, ao ter que decidir qual a Congregação onde deveria concretizar a sua Consagração, a jovem não duvidou em escolher o Bom Pastor por olhar com misericórdia para as jovens e mulheres sofridas, vítimas do mal.

Diz a Leonor: “Deus sempre me atraiu. Desde pequena se rezava em minha casa e eu gostava de rezar, de ouvir falar de Deus, sem pensar em ser religiosa, o que desconhecia inteiramente. Por isso, a minha adolescência e juventude decorreu como a de qualquer outra da minha idade: estudar, namorar”. No 1º namoro, aos 14 anos, o pai impôs-se: “Ou deixas de namorar, ou deixas de estudar e vens para casa!”. Remédio santo. Leonor estudava na Ilha do Faial mas a família vivia no Pico. Entendeu perfeitamente que era mais importante estudar.

 

Os anos foram passando e já com 18 anos, nos finais do Magistério, começa novo namoro com um jovem do Pico que também estudava. Como era crescida, nem pai nem mãe interpelaram a jovem. Era um namoro simples, no entanto, Leonor interrogava-se: “Entregar a minha vida ao Zé, trazia-me angustia… pensar em entregar a minha vida a Deus dava-me segurança, leveza. Mas não sabia muito bem como seria isso”. Até que chegou o dia de falar do seu desejo à família e esta condenou totalmente esse projecto. A mãe advertia: “As freiras não são o que parecem…aquilo é uma vergonha…etc”. A esta advertência a filha respondeu-lhe que se fosse assim não ficaria lá. Mas perante tal pressão, Leonor recolheu-se no segredo da sua vida, parecendo externamente que teria abandonado a ideia. Entretanto, também foi amadurecendo no seu coração aquele projecto, através de uma relação mais intensa com Deus.

 

Aos 21 anos, conta a Leonor, Encontrava-me a trabalhar como professora, em S. Miguel e a  minha família estava no Pico. Depois de muita luta e sofrimento, tomei a decisão e parti para o Continente, em vez de tomar o Barco para o Pico. Despedi-me da minha família por carta e segui o chamamento de Deus. Eu queria, do fundo do meu coração, ser de Deus, pertença d’Ele, mas não tinha certezas se Deus também me queria nesse caminho”. 

 

Leonor não teve sinais concretos da vontade de Deus a seu respeito naquela hora. Mas estava livre para aceitar a Sua vontade, caso não fosse esse o caminho escolhido por Deus para ela. Não tinha vergonha de voltar para trás. A certeza veio mais tarde, clara, segura, calando todas as dúvidas e dando-lhe força para seguir o caminho encetado. Após os votos perpétuos, depois de um período de formação - postulantado, Noviciado e Juniorado – marcado pela doença, veio a certeza pela voz dos médicos e das superioras.

 

Hoje, à distância de 50 anos, Leonor considera que a doença que a fez sofrer tantos anos, foi uma bênção para a sua vida. Ficava muito tempo sem possibilidade de trabalhar, apenas podia rezar e ler, mas tudo isto foi uma Graça e não um contratempo. Diz ela: “Li muito, e rezei mais do que as minhas companheiras porque estava presa a uma cama. Sempre achei que recebi mais do que aquilo que aparentemente tinha perdido.

 

Como em qualquer caminho, houve períodos difíceis ao longo destes anos, como foi o pós-concílio com todo aquele movimento agitado e confuso. No entanto, as Escolas de Oração do Frei Inácio Larranghaga e o contacto com os novos Movimentos que surgiram então – Focolarinos e Carismáticos, foram para ela mensageiros de Deus, mostrando o caminho certo da renovação religiosa.

 

Hoje, quem não conhece a Irmã Maria de Jesus Diogo, aquela Apóstola cheia de fogo, a percorrer quilómetros para espalhar o Amor de Jesus! São da sua autoria estas palavras: “Aprendi que a primeira preocupação do consagrado é a sua relação com Deus, no dia a dia, como o pão de cada dia, como o ar que se respira, como o Sol que ilumina a minha vida. Acolher, mostrar caminhos, ensinar com zelo e amor todas aqueles/as que o Senhor põe no nosso caminho, como ovelhas perdidas e feridas do rebanho de Jesus Bom Pastor, preenche o meu coração, sobretudo pela oração e a entrega da minha vida”.

 

Rosário Oliveira



26 de Junho de 2011

1 comentários

Maria de Lurdes, 31-Jul-2011 16:07:08
A Irmã Mª de Jesus Diogo,é uma pessoa maravilhosa! Simples, humilde e cheia de Deus! Estive com ela cerca de 4 anos, guarde bem dentro de mim os bons exemplos que dela recebi! Especialmente a sua vida de oração que alimentava a sua vida apostólica! É um dom para nós, e para toda a igreja! Ke Deus continue a agir nela, e por ela.










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