"A melhor forma de vencer as dificuldades é agradecê-las a Deus". (Beata Maria do Divino Coração)

Chamo-as pelo seu nome | Deus olha do lado de lá ou do lado de cá?


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Foi no dia do Corpo de Deus!

A lua ainda espreitava para ver se eu já estava acordada e eu senti um forte desejo de me sentar diante do Sacrário. Não resisti. Queria vê-lO e fui devagarinho buscar a chave para abrir aquela porta sagrada. Ali estava Ele silencioso, dentro daquela pequenina custódia. Fiquei imóvel, fixando aquele olhar invisível, mas real, na brancura da hóstia Santa. Olhei e voltei a olhar. Não disse nenhuma palavra. Para quê? Palavras inúteis? Ele também não me disse nada. Ficamos os dois a olhar um para o outro, como dois tolos apaixonados.

 

O meu coração sentia paz, alegria, gratidão, serenidade e curiosidade… gostaria de saber o que sente o coração d’Ele. Estaria contente por eu estar ali? Será que os Seus olhos brilhavam de alegria com a minha companhia? Será que Ele queria dizer-me alguma coisa importante e eu não O deixei falar porque estava envolvida no meu mundo tão pequeno?

 

Eu olhava Jesus do lado de cá, com os meus olhos limitados, desejos humanos, numa miscelânea de pensamentos bons e maus que não sossegam a mente com tanto vai e vem. E Ele? Como me olhava do lado de lá? Do lado da pureza, da verdade, do puro amor, da luz fulgurante, onde não existe a mentira, ódio, rancor, ressentimento, injustiça, inveja… e eu ali, sentada a Seus pés, comecei a sentir que era indigna de estar diante de um ser tão puro. Mas não tive coragem de sair daquele cantinho. Se Ele me mandasse embora…

 

Como se isso fosse possível, comecei a imaginá-LO a olhar para mim do lado de cá e já não me sentia mal. Se Ele é Amor, Misericórdia, Perdão, como posso afastar-me de quem me quer bem?

 

Só o fogo purifica e queima tudo o que não presta. Às vezes amedronta, quando exige algo mais do que a nossa mediocridade. Mediocridade, sim: das orações rotineiras, dos silêncios forçados, das Missas apressadas, dos propósitos no papel, da vida agitada, da caridade assistencialista, da falta de escuta de tanta dor dos nossos irmãos e irmãs, do espírito de critica afiado, do mau humor contagioso. Ai que lista!

 

Não, não vou continuar para não aumentar a tristeza, não a de Deus, mas a minha, a nossa, porque Ele está do lado de lá, mas vive do lado de cá. Mesmo assim, a nossa paixão por Ele é muito efémera. Tão depressa dizemos que O amamos e que é o nosso melhor Amigo, como passamos dias sem O visitar, ou dirigir uma palavra, um sorriso, um piscar de olhos. Meses ou até anos sem nos aproximarmos do sacramento da reconciliação, da comunhão. É caso para pensar seriamente em revolver a vida e olhar com honestidade para dentro de nós. A hipocrisia azeda o coração de Deus. Também devia azedar o nosso, de cada vez que mentimos para nós próprios quando dizemos que Deus é o centro da nossa vida. Talvez Ele seja mesmo o centro, mas andamos sempre a girar na periferia da vida dispersa.

 

Miriam



24 de Junho de 2011

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