"Nada é impossível ao amor" (Santa Maria Eufrásia)

Chamo-as pelo seu nome | Só tenho esta filha e gostava que fosse ela a fechar-me os olhos


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Isabel é a única rapariga de uma fratria de três irmãos. A mãe era uma pessoa de fé, piedosa, muito devota de Nossa Senhora. Isabel dava com ela, muitas vezes, a falar sozinha. Mas não, era o seu modo de conversar com Nossa Senhora. Aos 12 anos sentia-se atraída para tudo o que era religioso: mês de Maria, do Coração de Jesus, das almas, novenas, etc. A partir dos 13 anos participava na Missa diária. Lia todos os livros religiosos que pertenciam à mãe. Um deles era a imitação de Cristo, que sempre a acompanhou.

 

Já adolescente, o pároco convidou-a para ser catequista e pouco depois, zeladora dos altares. Conta Isabel: “A responsável da conferência de S. Vicente de Paulo convidou-me para ser aspirante vicentina, mas eu ainda não tinha idade. Mesmo assim, acompanhava uma senhora que ia visitar as famílias carenciadas. Esta senhora apoiava um grupo de crianças pobres da zona piscatória. Eu gostava de ir com ela. Fazíamos a higiene às crianças, levávamos roupas e alimentos”.

 

O tempo passava e naquele coração jovem nascia o desejo de pertencer ao Senhor. Começou a recolher informações sobre várias Congregações religiosas e gostaria de entrar numa que tivesse o nome de Nossa Senhora.

 

Dias depois, passou um homem à porta da jovem a vender calendários com a imagem do Coração de Maria. Diz ela: “Reparei que no calendário estava uma direcção: Religiosas do Coração de Maria. Fui logo ter com o meu confessor e disse-lhe toda entusiasmada: Eu queria muito ir para uma Congregação que tivesse o nome de Nossa Senhora e aqui está uma. Mas ele perguntou-me: ‘A menina já falou com os seus pais? ‘ Disse-lhe que não, mas que primeiro ia escrever às Irmãs e depois dizia-lhes”.

 

Escreveu e a resposta foi quase imediata. As Irmãs recebiam-na, mas tinha que tratar do enxoval. Foi mostrar a carta à mãe. Recorda ela este episódio: “Li a minha mãe a carta. Ela apenas disse: “Não vais e não vais mesmo. Tens muitas actividades na Igreja, podes ser feliz e não precisas de sair daqui”. Isabel começou a chorar e não teve outro remédio senão guardar ciosamente a carta. Entretanto continuava a pedir ao Senhor que lhe mostrasse o caminho a seguir.

 

Visitar os doentes no hospital, era outra tarefa apostólica da jovem. Certo dia, aproximou-se de uma senhora doente e ao conversar com ela, apercebeu-se de que se tratava de uma Auxiliar das Irmãs do Bom Pastor. Quis saber que Irmãs eram aquelas e fez-lhe muitas perguntas. Aquela Sr.ª disse-lhe: “As minhas madres Têm uma obra muito bonita. Acolhem as meninas da rua, as que são maltratadas pelos pais. São muito caridosas”. Ao escutar isto, a jovem ficou desejosa de conhecer as tais Irmãs, mas nunca as encontrou no hospital…

 

Até que um dia, a Assistente Social que acompanhava as famílias duma zona social fragilizada teve de ir levar uma menina ao Bom Pastor. Convidou Isabel para ir com ela. Enquanto mostravam a casa à menina, Isabel ficou a conversar com a superiora. Nessa altura ela tinha 16 anos. Aproveitou para fazer todas as perguntas e mais uma. Conta ela: “A Irmã levou-me a visitar os grupos das jovens e as oficinas. Desde os 17 aos 21 anos, o meu interesse ia aumentando e sempre que a Assistente Social ia levar uma menina ao Bom Pastor, eu pedia para ir com ela.”

Como já era maior, decidiu conversar com a Irmã superiora sobre o seu desejo de entrar para a vida religiosa. Ficou feliz quando descobriu que a Congregação tinha o nome de “Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor”. Até então pensava que era apenas ‘Bom Pastor’.

 

Numa tarde, ao entrar em casa, escutou a mãe a dizer à vizinha: “A minha Isabel queria ser religiosa, mas eu só tenho esta filha e gostava que fosse ela a fechar-me os olhos, como eu fiz à minha mãe. Eu rezo muito pelas vocações, mas que não seja a minha filha”.

 

Isabel contava já 22 anos. Continuava nas conferências de S. Vicente de Paulo e nessa altura pediram para preparar a vinda de uma Congregação para aquela paróquia. A jovem empenhou-se com entusiasmo, no entanto, o seu coração estava no Bom Pastor. Como a ligação afectiva entre mãe e filha estava cada vez mais forte, Isabel decidiu ir para o estrangeiro, para junto de familiares, com o objectivo de se afastar um tempo da mãe. Antes de partir, foi despedir-se da superiora do Bom Pastor e esta disse-lhe: “Menina, naquele país tão diferente, não te esqueças de que o Senhor foi o primeiro que te chamou”.

 

Ainda estava há pouco tempo no estrangeiro, quando apareceu outro momento de prova. Como as condições de vidas eram melhores, os familiares começaram a pressiona-la e planearam o casamento com um rapaz, também português e de boas famílias, a fim de se legalizar e fazer a carta de chamada à mãe. Confrontada com esta situação, escreveu ao seu director espiritual expressando-lhe a sua angústia. Ficou surpreendida com a resposta, pois na opinião do sacerdote, ela deveria casar e cuidar da mãe, isso seria o melhor para ambas. O conflito interior da jovem aumentou pois não se convencia de que isto fosse a vontade de Deus para ela, … resolveu escrever à mãe a contar-lhe a verdade. Em resposta, a mãe diz-lhe: “Faz o que entenderes, mas para o estrangeiro eu nunca irei”.

 

Entretanto, Isabel não via outra saída. Na véspera do casamento civil, Isabel passou a noite em claro, rezando e pedindo a Deus que lhe mostrasse o caminho certo. De manhã, foi ter com a tia dizendo como se sentia. A tia, como era uma pessoa piedosa, respondeu-lhe: “Se tu rezaste e se o Senhor te esclareceu, então, tens que dizer isto ao rapaz. Deixa-te seguir pela voz de Deus”.

 

À hora prevista, o rapaz compareceu para irem ao registo. Isabel encheu-se de coragem e disse-lhe que não podia casar porque não era o caminho dela. O jovem ficou mudo! Foi-se embora sem dizer uma palavra. Naquela noite não dormiu em casa.

 

Mais aliviada e decidida, a jovem regressou à sua terra natal, contactou a Congregação do Bom Pastor e marcou a sua entrada para o Noviciado.

Numa bela manhã, foi despedir-se da mãe que ainda dormia. Ajoelhou-se aos pés da cama, deu-lhe um beijo e disse-lhe que vinha despedir-se porque ia fazer um retiro de três dias. A mãe replicou: “Tu não vais nada fazer retiro, tu vais de vez para o convento”. Isabel levantou-se e saiu porta fora para que a mãe não a visse chorar.

 

Durante o Noviciado escreveu várias vezes à mãe, mas nem uma resposta. No dia da profissão temporária recebeu uma carta da mãe dizendo: “Agora tenho a certeza de que Deus te chama, é aí o teu destino. Então, que sejas fiel ao teu esposo”. Depois disso, em todas as cartas que a mãe lhe enviava, escrevia: “Que Deus te dê a santa perseverança”.

 

Passaram muitos anos. A mãe, já idosa, adoeceu e foi Isabel quem foi cuidar dela. Pouco tempo depois, a mãe faleceu-lhe nos braços e foi Isabel quem lhe fechou os olhos… Incrível! Como o Senhor fez a vontade à mãe. Isabel deu tantas voltas, mas no momento certo, lá estava ela a confirmar que a Vocação é um Dom de Deus e quem é fiel jamais ficará desiludido. 

 

 



16 de Maio de 2011

4 comentários

Rosário, 28-Mai-2011 23:05:00
Olá Vanessa! como a Marta não fez mais nenhum comentário deduzi que não estaria interessada na resposta. Mas se queres saber onde mora esta Irmã aqui fica o contacto: Lar Luisa Canavarro, Rua de S. Brás, nº 293 4000-495 Porto.O nº de telefone é o 225092530 Quanto ao outro assunto, concordo contigo. Há assuntos que têm que ser conversados pessoalmente. Se quisers contactar comigo o meu email é o seguinte: rosarioliveira2@sapo.pt e depois podemos combinar um dia para nos conhecermos e colocares as tuas dúvidas. Aguardo a tua resposta. Ir. Rosário

Vanessa C., 28-Mai-2011 12:05:12
Fiquei a aguardar que o diálogo entre a Marta Sofia e a Rosário continuasse mas como não vi isso, vou entrar também no diálogo. É que eu por vezes ao ler testemunhos destes também fico com algumas dúvidas. Como é que é possível alguém deixar assim tudo de lado, deixar todas as seguranças e entregar-se a Deus e aos outros?! Dá mesmo para uma pessoa se perguntar se realmente aquilo é tudo verdade. Mas já sabemos que este caso é verdadeiro e ponto final. Agora eu gostava de poder contactar-vos sem ser apenas por este processo, há coisas que eu não quero partilhar aqui, sou tímida e gosto de privacidade. Não nos pode ser indicado um mail ou um contacto telefónico? Desde já agradeço. Vanessa C.

Rosário, 18-Mai-2011 13:05:44
Olá Marta! Posso garantir que esta História é verdadeira e se quiseres contactar com esta Irmã tenho todo o gosto de te enviar o contacto dela. Digo-te apenas que ela vive numa comunidade que apoia mães adolescentes com filhos no Lar Luisa Canavarro, no Porto. Ir. Rosário

Marta Sofia - Alpendurada , 16-Mai-2011 23:05:28
Encontrei este site por acaso. Fiquei comovida com esta História. Isto aconteceu mesmo ou é uma história inventada? Será que alguém pode responder a esta dúvida? Marta










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