"Quando se procura o Senhor não se tem necessidade mais nada". (Beata Maria do Divino Coração)

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Filomena nasceu na Lomba de Santa Bárbara da Ribeira Grande, na Ilha de S. Miguel. É a segunda de 5 irmãos, sendo dois rapazes e 3 meninas.

 

Por volta dos 9 anos foi convidada a fazer companhia a uma familiar de uma jovem que tinha entrado na Congregação do Bom Pastor. Era uma família vizinha e por isso os pais permitiram que Filomena ficasse interna naquela casa. Naquele lar o tema das conversas andava à volta da vida do convento, ao ponto de encher de curiosidade a menina Filomena.

 

A jovem tinha deixado a ilha porque o noviciado era em Gaia, no Porto, no entanto, aquela família de vez em quando gostava de visitar as Irmãs do Bom Pastor que tinham uma casa no Livramento, para saber notícias da filha. Filomena quase fazia parte daquela família e por isso acompanhava-os para todo o lado e também nestas visitas. Foi aí que conheceu algumas Irmãs e era sempre uma alegria visitá-las.

 

Entretanto, a mãe começou achar que Filomena estava tempo demais em casa desta vizinha e impôs regras, pois a filha era muito nova e precisava de criar raízes na família.

Mais tarde, a convite do irmão mais velho que trabalhava num café em Ponta Delgada, Filomena vai trabalhar como empregada interna para a casa dos patrões deste. Era uma família muito religiosa e Filomena acompanhava-os sempre na Eucaristia diária bem como na prática de outras devoções. Foi aí que se preparou para o sacramento do Crisma, convidando a patroa para sua madrinha.

 

Passado algum tempo, começou a visitar a sua família aos fins-de-semana. Num destes fins-de-semana enamorou-se de um jovem mais velho do que ela 4 anos. Comunicavam-se por carta e encontravam-se semanalmente. A família do rapaz, estava quase toda no Canadá e depois de cumprir o serviço militar era esse o destino que o esperava. Filomena começou numa luta interior, pois não estava muito interessada em separar-se da família, mas ao mesmo tempo gostava do rapaz.

 

Andava ela numa grande indecisão quando soube que a tal jovem que tinha ido para o convento, tinha sido enviada como superiora para a casa do Bom Pastor em S. Miguel. Sem perder tempo a pensar, foi logo visitar aquela Irmã para se aconselhar sobre o que fazer da sua vida. Enquanto esperava na sala de visitas, deparou-se com um grande quadro da Irmã Maria do Divino Coração que então era Venerável. Interessou-se em saber mais sobre a vida daquela religiosa e percebeu que havia um movimento a pedir graças para obter um milagre para a Beatificação da Ir. Maria. A partir daí outra inquietação surgiu.

 

Era verdade que gostava daquele jovem e há muitos anos que namoravam, mas cada vez que pensava no casamento, dedicar a vida a um homem e a meia dúzia de filhos, o seu coração se entristecia. Por outro lado, sempre que ia ao Bom Pastor, sentia muita alegria ao ver como as Irmãs dedicavam a sua vida àquelas jovens. Começou a pensar que também ela poderia ajudar naquele trabalho que considerava tão bonito. Mas como? Deixar o namorado de quem tanto gostava? Separar-se dos pais e dos irmãos para ir para o convento? Se antes a dúvida era casar e ir para o Canadá, agora a dúvida tornou-se numa angústia. Que fazer?

 

Abriu o seu coração à superiora do Bom Pastor, mas esta com receio de a influenciar porque antes eram amigas, aconselhou-a a conversar com o seu irmão padre que se encontrava de passagem por S. Miguel. Aquele encontro foi muito esclarecedor mas a decisão cabia a Filomena. Colocar-se diante do Senhor e pedir força e luz para seguir o Seu chamamento era o mais importante naquele momento. Depois, pedir coragem para dizer ao jovem que o seu caminho não era o casamento.

 

Chegou por fim o dia em que Filomena explicou ao namorado que gostava muito dele mas a sua vocação era a vida religiosa. Apesar desta notícia dolorosa, a reacção do rapaz foi muito compreensiva. Disse-lhe com lágrimas nos olhos: “Se fosse para me trocares por outro homem eu jamais aceitaria, mas como é por Alguém Superior, eu compreendo”. Conta Filomena que foi uma luta tão grande e choraram muito os dois, mas a decisão estava tomada e ao mesmo tempo sentia paz.

Ao completar os 21 anos deu entrada na vida religiosa, deixando para trás os pais e os irmãos que tanto amava e de quem tanto temia separar-se. Ainda lhe passou pela cabeça que poderia entrar noutras Congregações que lá existiam e assim não ter que deixar a ilha, mas as jovens fragilizadas e o Bom Pastor enchiam o seu coração.

 

Já na vida religiosa fez o curso de educadora e pensava: Para quê este curso se não vou trabalhar com crianças pequenas?”. Mas enganou-se, pois mais tarde foi enviada para a Casa de Sant’Ana, uma Instituição para mulheres e seus filhos, e ali percebeu que tudo o que se aprende ao longo da vida, nos irá servir em algum momento. Refere Filomena com um olhar expressivo que foi uma Missão que lhe encheu as medidas. A sua vida estava ao serviço do Bom Pastor na pessoa dos pobres. Naquela altura a casa vivia da Providência e a burocracia da Segurança Social não tinha lá lugar. Nunca foi necessário rejeitar nenhum pedido de acolhimento e havia sempre um cantinho para mais alguém que aparecesse a qualquer hora. Assistia-se a “milagres” ao vivo todos os dias, sobretudo naqueles momentos em que a comida era escassa para tanta gente, mas na hora certa aparecia alguém a bater à porta a trazer comida de algum lado.  

 

Numa destas vezes em que não havia nada em casa e as Irmãs estavam preocupadas porque estava quase na hora do almoço e era preciso dar de comer a mais de 50 pessoas, aparece lá uma carrinha do Colégio Vasco da Gama com um grande tacho de comida porque tinha havido lá uma festa e não sabiam o que fazer com tanta fartura.

 

Outro episódio marcante, foi num dia 24 de Abril, festa de Santa Maria Eufrásia. Não havia fruta nenhuma em casa e muito menos dinheiro para a comprar. Aparece uma carrinha aberta com muitas caixas de bananas que tinham sido apreendidas.

Bendito seja Deus por tudo! Ficam muitas histórias por contar, mas vividas com intensidade, com o selo da dor, mas também com alegria de quem sabe que Deus nunca falha na hora em que mais precisamos. 

 

Rosário Oliveira



12 de Julho de 2011

11 comentários

Maria Rosa, 17-Jul-2011 19:07:35
Gostei de ler este testemunho. Já ouvi muitas vezes dizer que para freira vão aquelas que tiveram algum desgosto ou que os namorados deixaram... Confesso que não acreditava lá muito. Penso que por um desgosto amoroso não deve ser fácil aguentar a vida religiosa e agora este testemunho veio dar-me razão. Ela deixou o namoro com dor, porque se sentiu chamada por Alguém superior... e a atitude do rapaz também me encantou. Parabéns! Eu não sou freira, mas penso que fazem muito bem em dar a conhecer testemunhos destes. Com admiração, Maria Rosa










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